O que preciso para viver de rendimentos dos mercados?

Do sonho à realidade

Um dos grandes benefícios que cativa uma pessoa a equacionar viver de rendimentos dos mercados financeiros é a liberdade que essa forma de vida proporciona. Sem patrão e um emprego habitual “das 9 às 18h”, este estilo de vida parece um autêntico sonho para muitas pessoas. No entanto, para o adotar com sucesso existem muitos desafios e dificuldades que tem de superar. Antes de tomar a sua decisão deve estar ciente de tudo o que esta envolve.

 Investir em conhecimento

 “Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros“. Esta frase de Benjamim Franklin não poderia ser mais verdadeira. Para investir nos mercados financeiros e obter retorno suficiente para viver confortavelmente é extremamente importante que invista bastante tempo a adquirir conhecimento. Com a grande diversidade de recursos que a Internet proporciona, esse conhecimento encontra-se acessível, bastando apenas que dedique efetivamente tempo a procurá-lo e a aprender.

Um erro habitual em investidores principiantes consiste em pensar que, como os primeiros investimentos até correram bem, não existe grande ciência em viver exclusivamente de retornos dos mercados. Esta é uma falácia que deve evitar a todo o custo. Obter rendimento em 1 ou 2 investimentos, por acaso, ou sorte, é bastante diferente de o conseguir obter de forma sustentável e constante ao longo do tempo. Só com esta estabilidade é possível viver de retornos dos mercados sem necessitar de ter outras fontes de rendimento nomeadamente outro emprego.

Capital Próprio

Um aspeto importante que pode impedir à partida a concretização do desejo de viver de rendimentos dos mercados financeiros, é o facto de necessitar de capitais próprios relevantes. Provavelmente já ouviu a expressão “para gerar dinheiro é preciso dinheiro” e esta não podia estar mais correta. Apesar de existir sempre a hipótese de utilizar alavancagem nos investimentos a verdade é que esta, principalmente para investidores com pouca experiência, deve ser usada com moderação. A alavancagem permite aos investidores abrirem posições de valor superior ao que efetivamente possuem na conta. No entanto, caso esse investimento sofra uma desvalorização perto do valor que o cliente dispõe na conta, a posição é automaticamente fechada, sendo o investidor forçado a assumir a perda. Posto isto, podemos dizer que a alavancagem deve ser usada com bastante cautela. O melhor mesmo é dispor de capitais próprios significativos para investir, não havendo assim a necessidade de recorrer a nenhuma forma de crédito que possa fazer o investidor incorrer em custos adicionais.

Cuidados a ter

Antes de fazer cada investimento deve aprofundar de diversas formas os conhecimentos acerca deste. Negociar apenas com base em boatos ou notícias pode ser uma estratégia desastrosa a médio/longo prazo. Se pretender adquirir uma participação numa empresa, por exemplo, deve reunir o máximo de informação acerca desta, estudá-la detalhadamente e só depois tomar a decisão de investimento.

Um dos melhores conselhos que se pode dar a todos os investidores e que não podíamos deixar de referir consiste em diversificar ao máximo. Esta é uma forma eficaz de diminuir o risco dos seus investimentos. Deste modo, caso haja um investimento que não corra tão bem, tem sempre hipótese que as mais valias obtidas com outros compensem. Lembre-se que o seu capital é finito e algumas perdas podem ser irreparáveis e pôr em causa o seu objetivo de viver de rendimentos dos mercados.

Outro aspeto relevante é que em nenhuma circunstância deve investir em produtos que não compreende. Por muito que um investimento pareça promissor, ou que oiça alguém dizer que é o investimento do século, nunca deve alocar capital seu a produtos que não compreende em que consistem e qual o seu funcionamento.

Por último nunca deve deixar de procurar conhecimento. Os mercados financeiros estão em constante mudança, a vida das empresas e a economia estão sempre a mudar por isso torna-se imperativo estar sempre a procurar todas as fontes de informação para que as suas decisões de investimento possam ser o mais fundamentadas possível. O que era um bom investimento ontem pode já não ser hoje, por isso nunca deixe de manter um contato próximo com a realidade atual.

Lidar com perdas

Um fator importante com o qual deve saber viver ao longo da sua vida de investidor é o de saber lidar com perdas. Estas acabarão por aparecer mais cedo ou mais tarde. Nenhum investidor consegue obter retorno em 100% dos seus investimentos, portanto é uma inevitabilidade ter de enfrentar momentos destes. A forma como os encara pode ter uma influência enorme na sustentabilidade da sua vida como investidor a tempo inteiro. A propensão para tomar decisões mais precipitadas com vista a compensar rapidamente a perda é uma tentação frequentemente registada que deve evitar.

Quando dar o primeiro passo?

Antes de dar o primeiro passo e decidir enveredar por uma vida de investimentos a tempo inteiro é importante que se muna de todo o conhecimento possível acerca dos mercados financeiros no geral e dos produtos específicos em que planeia investir em particular. Nunca deve investir em produtos que não compreende totalmente nem adquirir participações em empresas sem um mínimo de estudo prévio acerca destas. Não ceda à tentação de pensar que “é fácil” viver de ganhos dos mercados por conhecer a história de alguém que comprou ações da empresa X que valorizou exponencialmente em pouco tempo. Existem muitas histórias de investimentos que originaram mais valias colossais devido a perfeitos acasos.

Quando se sentir confortável a nível de conhecimentos adquiridos e compreender totalmente o funcionamento dos produtos em que planeia investir, então chegou o momento de dar o primeiro passo e começar a viver o seu sonho.

Bons Investimentos!